Pedras, granitos, soleiras e peitoris

A Extração das Pedras, Granitos e Mármores Convencionais

Para obter as maravilhosas pedras, granitos e mármores que praticamente todos usam em casa, foi arrancada uma vistosa floresta, nesse local são escavadas e mineradas toneladas dessas pedras e, no final, nada resta a não ser uma gigantesca cratera desértica.

Identificamos uma única empresa extratora de granitos e mármores no Estado de São Paulo que tomava atitudes tais como recuperação e reflorestamento da área degradada.


O "Ecogranito"

No entanto, acabamos optando por uma solução bem interessante e sustentável que na falta de um nome batizamos de "Ecogranito". A idéia não é exatamente inédita. Existem produtos industrializados prontos semelhantes (evidentemente com o acabamento superior) usando diversos materiais como composite básico, desde ligas de cimento a polímeros (plásticos). O problema destes materiais é o composite, muitas vezes não ecológico e o custo muito alto. Muitas pessoas criaram materiais semelhantes e divulgaram na Internet.

Obtivemos vidros quebrados dos vidraceiros da cidade. Colocados dentro de uma câmara de ar velha de pneu de caminhão, foram moídos com uma marreta. O vidro temperado é mais duro, mas também é perfeitamente utilizável.

Fizemos formas simples com madeiras e nossas primeiras experiências foram feitas com PU (poliuretano) de mamona pigmentado, usado como composite. O resultado é muito bonito. Mas enquanto para usos comuns como impermeabilizante ou coberturas o PU fica consolidado em 24 horas, para obter uma soleira, por exemplo, demora dezenas de dias para endurecer completamente. Além disso, o material é uma cola excelente, o que o torna bastante difícil de desenformar, mesmo usando vaselina sólida. Também tivemos algumas peças que empenaram um pouco, talvez por causa do Sol ou pequenos erros na proporção da misutra. Se você dispuser de bastante tempo e um cronograma bem planejado, pode ser viável.

Ecogranito de PU de mamona
Soleira de Ecogranito de vidro moído e PU (poliuretano) de mamona

Como tempo na obra é crucial, optamos por utilizar cimento como composite básico. Lembrando que o cimento ideal é o CP-III, ecológico por usar cinzas de escória de alto-forno e ligeiramente mais barato que o convencional (CP-II).

Para obter belíssimas peças brancas, o cimento branco se saiu bem. Também usamos pigmento líquido para tintas na massa e obtivemos peças pretas e vermelhas.

Peitoril de Ecogranito Branco
Peitoril de Ecogranito de vidro moído e cimento branco

Soleira de Ecogranito Preto
Soleira de Ecogranito de vidro moído e cimento com pigmento preto

Ecogranito pigmentado de vermelho
Bancada de Pia de Cozinha de Ecogranito de vidro moído e pigmento vermelho


Como Fazer

Prepare o composite e adicione o pigmento líquido (usado em tintas) até obter a cor desejada. Pode ser necessário usar MUITO pigmento, dependendo da cor. Por exemplo, se for querer uma peça vermelha de cimento, pouco pigmento vai deixá-la cor-de-rosa. Vá adicionando pigmento até que atinja a saturação da cor vermelha.

Adiciona-se uma fina camada de composite e preenche-se a forma (feita de madeiras soltas, por exemplo) com o vidro moído. Completa-se com o composite, tomando o cuidado para não deixar bolhas de ar. Lembre-se de que você quer deixar o vidro moído próximo à superfície para que fique visível, mas tente não deixá-lo acima da superfície, para não dar muito trabalho no desbaste.

Depois de endurecidas, são desenformadas. Opcionalmente dê acabamento nas bordas com disco diamantado. Passa-se o rebolo diamantado com politriz, para um desbaste inicial que vai expor os cacos de vidro e nivelá-los com a massa de cimento. Para um acabamento brilhante, é fundamental passar as lixas diamantadas, uma a uma, sem pular (costumam vender num kit), da mais grossa até a mais fina e por fim a "buff" para dar o brilho final. Para um acabamento reluzente, aplique PU de mamona por cima de tudo. Lembre-se de que o PU de mamona tem cor âmbar e vai alterar principalmente peças claras. Nos peitoris brancos, optamos por não aplicá-lo.
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